Hoje eu resolvi começar a escrever novamente as minhas aventuras diárias enquanto garota de programa.

Eu não sei ate quando permanecerei nessa atividade, pode ser que a qualquer momento eu suspenda ou pare, logo eu vou aproveita-la ao máximo e deixar alguns registros não só para os amantes do sexo, clientes, curiosos…, mas também para que as pessoas saibam como é a vida de uma garota de programa como eu, porém minha vida não é igual a das demais, possui algumas semelhança, mas somos diferentes.

Mel Angel é um nome fantasia que eu adotei recentemente para desvencilhar, se isso é possível, da pessoa publica que eu me tornei. Mas eu não posso e nem quero fugir da minha realidade e da minha essência.  Decidi tornar público muito do que eu faço no meu dia-a-dia, mas eu não vou falar só de sexo. Eu vou contextualizar bastante da minha vida, eu sinto essa necessidade de poder compartilhar e utilizar desse mesmo pretexto de ter me tornado uma pessoa pública e usar isso como instrumento para causar uma reflexão sobre trans e travestis de programa. Até mesmo pra desmistificar esse tal “mundo proibido” da prostituição, é um debate que precisa ser encarado de frente.

Eu não sou a primeira a tomar tal atitude, algumas outras mulher cis, mulheres trans e travestis profissionais do sexo já publicizaram sua vida na internet, eu acredito que também possa mostrar um pouco da minha realidade e perspectiva.

E eu quero mostrar, eu me sinto preparada.

 

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COMO ACONTECEU A PROSTITUIÇÃO NA MINHA VIDA?

Eu não sei explicar, quando eu percebi eu já estava neste mundo, totalmente integrada. Não era de fato o que eu queria ser, nem passava pela minha cabeça, mas parece que foi algo que aconteceu e me tomou de uma forma e quando eu abri os olhos eu já estava totalmente envolvida. E aqui estou eu até hoje! Eu sempre fui muito sexual, desde que comecei a sentir meu corpo e meus desejos, sempre senti atração muito forte por homens, era uma atração incontrolável de chegar ao ponto de fazer coisas muito perigosas, ainda mas na adolescência. Lembro do meu primeiro programa, foi arriscado, era uma pessoa desconhecida. Mas com foi um homem que parou o carro e me ofereceu dinheiro para transar com ele, eu já me senti interessada. Só que eu estava voltando do mercado, era mais um dia comum na minha vida não imaginava que do nada isso iria acontecer. Ele me ofereceu R$50,00 para ir na pousada com ele e dar uma. Uau… eu mal sabia fazer sexo, mas só a ideia de fazer de novo com uma homem ja me deixava inquieta.

Eu aceitei!  Fui em casa correndo deixar o pão e entrei no carro dele. Fomos para uma pousada próximo de casa, eu tava muito nervosa, mas eu queria tanto. Ele era bonito, tinha barba e pelo no peito, tava suado, não me tratou mal, sempre cuidadoso. No caminho ele ficava passando a mão em mim e eu estava de vestido, ele tocava os meus seios, ainda de hormônio, pegava no meu pinto por cima da calcinha e eu deixava, eu tava gostando de ser tocada e enquanto isso eu ficava amassando o pau dele, que estava dentro da calça jeans latejando de tão duro. Chegamos a pousada, eu não sabia muito bem como fazer ou por onde começar, eu acho que ele percebeu e foi me guiando e eu fui obedecendo. Como eu estava com um vestido bem leve, foi mito fácil eu ficar nua primeiro. Ele nem tirou a roupa, ele tava com pressa, acho que estava indo trabalhar ou entregar algo, ele queria algo rápido, naquele momento, naquela hora de aperto, trabalho e correria, excitação mesmo. Pôs para fora da calça um pau médio e muito duro, eu nem chupei ele ja foi me virando e me comendo, eu falava para ele devagar, só tinha a camisinha cortesia da pousada, não tinha nenhum gel, foi no cuspe. Ele foi metendo devagar, com calma, deitou sobre mim, eu de costas para ele e ele empurrando ate entrar tudo, eu gemi muito nossa….. E ali ele me comeu, me comeu, me comeu…. gozou, foi ao banheiro lavou o pau, eu me vesti e fomos embora. Gastamos entre 20 e 30 minutos ao todo, foi muito rápido. Me deixou em casa de novo e disse que iria me procurar de novo, eu não tinha celular, como ele ia me achar? Naquele dia comum, eu tinha conseguido de alguma forma 50 reais, gente eu tava riquíssima, a primeira coisa que eu fiz com esse dinheiro foi comprar  hormônio.

Eu comecei a me vestir do gênero feminino e tomar hormônio com 15 anos de idade. Com o tempo eu fui percebendo que a minha feminilidade começou a atrair os homens e eu fui gostando disso. Eu não tinha dinheiro pra comprar hormônio, eu só estudava. Comecei a ver no programa a porta para a minha transição*. E não só isso, começou a ser um suporte financeiro, com ele comecei também a comprar umas roupas femininas, as que eu tinha eram emprestadas, doadas, achadas e etc. Esse cara que fez o primeiro programa comigo, ele voltou de novo, mas desta vez ele bateu na porta da minha casa e eu morava com a minha mãe, ela atendeu e ficou furiosa quando ele disse que estava procurando a Melissa, não pensou duas vezes e pôs ele pra correr (risos). Naquela época minha não suportava a ideia de ter uma filha trans, ainda mais um homem indo atras dela(…). Depois eu e o primeiro cliente nos encontramos de novo e desta vez foi bem melhor, mas eu conto numa próxima oportunidade ou se vocês quiserem saber. Dali em diante comecei a perceber que conforme eu ia avançando na minha transição de gênero mais as propostas para sexo pago ficavam mais frequentes. Essa proximidade minha de um padrão feminino idealizado no imaginário masculino, também foi tomando conta de mim e cada vez mais eu queria seguir esse padrão, pois ele me dava satisfação comigo mesma e lucro.

Sendo assim, para onde eu ia o programa me perseguia. Lembro de uma outra vez em que eu já estava trabalhando em um salão e um rapaz foi levar seu filho para cortar cabelo com a dona do salão, enquanto isso ele ficou me observando, fez perguntas a dona do salão referente ao horário de encerramento do expediente. Dito e certo, no final do expediente ele estava me esperando na esquina do salão, discretamente pediu para que entrasse no seu carro para conversarmos, eu já sabia o que era, desta vez eu já não estava tão nervosa. A proposta foi sexual e logico eu cobrei e ele não teve problema em pagar. Ele me levou para um motel, la eu tomei um banho e fui estar com ele na cama. No intervalo de tempo entre o programa da historia anterior e esta, eu já havia feito alguns poucos programas e sexos casuais, deu pra aprender algumas coisas. Eu já chupava, provocava, me insinuava, eu já estava bem mais menina mulher. No quarto ele fez muito gostoso comigo, transamos, nos beijamos, foi de quatro, de frago assado, sentando em cima, foi tudo. Ficamos tendo um caso depois disso, rsrsrs… e ele era casado. Quando dei por mim eu já tinha saído com alguns homens da minha vizinhança, todos em segredo. Eu ia dar uma volta na pracinha, o point do bairro, e tinha cliente esperando. Era só uma questão de tempo para eu me entregar de vez a essa vida.

 

Eu volto logo para contar mais coisinhas…. prometo.

 

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*transição = fase em que uma pessoa trans ou travesti começa a fazer uso de hormônios, terapia hormonal ou hormônioterapia, para adequar seu copo ao gênero que se identifica. Eu, por exemplo, comecei a tomar hormônio feminino para que meu corpo se apropriasse das formas de um corpo feminino, assim como rosto e etc. Esse período é chamado de transição.